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Obra de Deus e dos homens
Pequenina e heróica.
Essa foi a expressão que consagrou a Paraíba na geografia dos sentimentos nacionais.
Mas a Paraíba de Augusto dos Anjos, de José Lins do Rego e de José Américo de Almeida agigantou-se em destino de heroína parideira de romances, poesias e revoluções.
O clima é tépido e ameno, a começar pelo calor das mãos estendidas ao visitante, em acolhida de paz.
E a natureza dadivosa não se cansa de namorar. Namoram céus e terra, rios e lagoas, palmeiras e mandacarus.
A Ponta do Seixas, ponto mais oriental das Américas, molha os pés no Atlântico e avança de mar adentro em viagem de águas rasas e cristalinas, para receber o primeiro sol do continente.
Mas o lume do sol que se acende à beira-mar só se apaga por trás da cordilheira da Borborema, onde reina Campina Grande.
Na Paraíba dos frutos capitosos e dos temperos afrodisíacos, o que sobra das mãos de Deus deixa mais rica a obra dos homens.
O conjunto barroco formado pelo Convento de Santo Antônio e pela Igreja de São Francisco foi iniciado em 1589 e é considerado o mais importante monumento em estilo barroco da América Latina.
Terra de gente valente, mas também hospitaleira. Terra do baião de Sivuca que se toca como quem reza, que é para não ofender a sotaque sinfônico. Terra de Jackson do Pandeiro, de Elba e Zé Ramalho. Terra de todas as letras e de todas as cantorias.
Terra que se escreve PARAÍBA, mas se soletra Brasil.
Luiz Augusto Crispim